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Caetano Veloso & Gilberto Gil – Barra de 69 (1972)

Nossasinhora ! Esse disco é uma raridade, e um puta show ao vivo ! (Eu tive a chance de ter ele em vinil, mais me fodi.),  mesmo tendo um áudio sofrido, o “épicismo” desse disco é sem dúvida a despedida de Cae e Gil, para o exílio em Chelsea, Inglaterra, para só voltar em 1972, ano em que o disco foi lançado. Cheio de Pout-Pourris, guitarras de Pepeu Gomes, exaltações de público e afins, vemos que não é um disco ao vivo qualquer, é sim, e sem dúvidas, um dos (senão o) maior registro músical do povo contra a ditadura. (Um professor meu de história se emocionaria com esse relato histórico meu). O povo ouvindo e festejando com atenção as vozes dos Tropicalistas marcou ponto.

E quem ajuda, É o Senhor Do Bonfim !
Um clássico esquecido no baú da MPB.

Caetano Veloso & Gilberto Gil – Barra de 69 (1972)

1-Cinema Olympia:
-Regravada por, no mínimo, uma dúzia de artistas diferentes, aqui se encontra a versão ao vivo de Gil, Cae, Pepeu, e mais uns instrumentistas para Cinema Olympia. Relatando a juventude, tanto a da tropicália, como a da jovem guarda, como a da bossa (decadente bossa…), e tendo uma veia de protesto, defende que tudo tem um lugar a todos. Um solo de assovio se intercala a uma nervosa guitarra com fuzz. Bem intensa. De 0 a 10 ? 8,5

2-Frevo Rasgado:
-Frevo Rasgado, é do disco de 68 do Gil, aonde é toda orquestada, cheia de pom-pons e essas coisas…Aqui ela permanece mais viva, intensa, com uma introdução no violão (sendo que na capa Gil tem uma guitarra em mãos…) de encontro a voz de Gil bem melodiosa, radiante, mostrando que literalmente, esse é um frevo rápido – um frevo rasgado, por assim dizer. De 0 a 10 ? 8,5

3-For No One/Superbanca/Panis Et Circenses/Superbacana:
-Silêncio total, do Castro Alves não se ouve um peido ou ruído. Então, com o pseudo-solo, Pepeu dá a carta para Caetano soltar a mais linda letra sobre pós-dor-de-corno da história mundial: For No One, dos Beatles, no disco Revolver de 1966. Depois, tomando um fôlego audível, ele se retoma e puxa uma superbacana fudida, levantando o Castro alves em peso. E, depois de um furacão criado, Cae mostra pra quê nasceu, e para a música em seco, puxando a intro de Panis Et Circenses, imortalizada pelos Mutantes, e depois retoma ao frisson de Superbacana. Ótima jogada de sons. De 0 a 10 ? 8,5

4-Madalena:
-Aqui sim, uma música de “protesto”, sobre a fome a miséria do nordeste, aonde Gil solta sua voz e bota pra fuder, enquando Pepeu sola frenéticamente e o baixo come solto. Caetano faz backin’ vocals, meio sumidos pela péssima gravação. O wah-wah da guitarra nunca foi tão bem usado como nessa faixa. De 0 a 10 ? 8,0

5-Atrás Do Trio Elétrico:
-Uma introdução solada, diferente da original, mostra o gás que vai ter essa música. Uma das músicas que, é considerada a “criadora” do atual carnaval baiano. Quando Caetano puxa a música, é até possível sentirmos a aura do sangue baiano fervendo em cada um de nós. Aqui sim vemos a verdadeira alma baiana. De 0 a 10 ? 7,5

6-Domingo No Parque:
-Acompanhado do grupo cultural Viva Bahia, Gilberto gil apresenta o seu clássico que foi acompanhado com Os Mutantes no Festival Da Canção da Record, de 1967, causando muito furor, revolta e sucesso. Aqui, ao vivo e com berimbaus intensos, Gilberto Gil marca a sua parte no Barra. Grandiosamente. De 0 a 10 ? 8,0

7-Alegria, Alegria/Hindo Do Esporte Clube Bahia/Aquele Abraço:
-Esqueça a Alegria, Alegria de estúdo. Isso aqui irá partir tua cabeça em dois. Uma Alegria, Alegria beeeeeeem rápida, rítmica e perfeita, mostra como a banda de apoio de Cae e Gil é boa. Forte, independente, solista e com base na bateria, que guia os outros instrumentos. Caetano, depois de terminar essa maravilha, puxa para o hino do Bahia, aonde se vê o tamanho desse documento histórico, vendo o público cantar junto, e também sem Cae e Gil, sendo só auxíliado pela bateria. Percebemos então, como é forte o público quando é cantado o refrão: “BAHIA! BAHIA! BAHIA!”, o que fez um amigo meu nunca mais ouvir essa música. E logo depois disso, Gil se entrepõe e solta seu monstro: Aquele Abraço. Aí sim a platéia desaba, e logo sim, logo aí…Vemos como se encerra um ótimo disco: Com um ótimo Pout-Pourri. De 0 a 10 ? 9,5

E é com esse disco sensacional, que acabamos com mais um post. Até a vista !


2 Responses to “Caetano Veloso & Gilberto Gil – Barra de 69 (1972)”


  1. 1 João Viana
    maio 19, 2010 às 8:57 PM

    esse tem cara de ser do caralho!

    • maio 19, 2010 às 9:25 PM

      Ah, pode apostar que é amigo leitor. Grande abraço.


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